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01 de outubro,2012A piada do crescimento do PIB

– O ministro da Fazenda Guido Mantega considerou uma piada a projeção de 1,6% do Produto Interno Bruto (PIB) feita em junho deste ano pelo banco Credit Suisse.

 

– Três meses depois, a piada tornou-se realidade com a projeção do Banco Central para exatamente os mesmos 1,6% anunciados pela instituição financeira. No final das contas, quem virou objeto de anedota foi o titular da pasta da Fazenda.

 

– As seguidas quedas de expectativa para o PIB e a posição algo distante da realidade do ministro da Fazenda já eram motivo de ironias até mesmo de uma publicação internacional do porte da Financial Times.

 

– Mas há algo triste além das chacotas. A queda na projeção do BC para o PIB de 2012 foi puxada principalmente pela piora das expectativas para a indústria, os investimentos e as exportações.

 

– A previsão do PIB industrial foi revisada de crescimento de 1,9% para retração de 0,1%. Já a projeção para os investimentos passou de alta de 1% para queda de 2,2%. Além disso, o BC calculou que o IPCA será de 5,2%. À estagnação, soma-se a inflação.

 

– Cenário externo ruim e gargalos da economia brasileira, como os custos elevados de produção, estão retardando os efeitos de medidas positivas como a redução da taxa Selic.

 

– Uma das causas da quase paralisia econômica, admitiu o Banco Central, foi o baixo nível dos investimentos públicos. Sem investimentos, ações como a redução da taxa Selic parecem não fazer efeito.

 

– Mas, por incrível que pareça, o governo ainda não começou a agir efetivamente.

 

– Reportagem de ontem da Folha de S. Paulo mostrou que três meses após lançar em caráter emergencial seu pacote de compras de máquinas e equipamentos, o governo mantém intocada a maior parte da verba prometida para acelerar investimentos e reanimar a economia.

 

 

– Dos R$ 6,8 bilhões anunciados em junho para elevar o volume de encomendas para a indústria nacional neste ano, pouco mais de 10% começaram a ser utilizados.

 

– Até o último dia 22 de setembro, segundo levantamento feito pela Folha, apenas R$ 727 milhões haviam sido empenhados.

 

– “Mesmo com incentivos ao crédito, corte dos juros, desvalorização do real (alta do dólar), reduções de impostos, desonerações da folha de pagamentos, forte aumento de salários e da renda, robusta expansão do consumo e emprego recorde, a indústria está se desidratando”, afirmou o colunista do Estado de S. Paulo, Celso Ming.

Aqui: http://migre.me/aWgqL

 

– Para crescer a cerca de 4% ao ano, como quer o governo, a taxa de investimento em proporção ao PIB precisa passar dos 18% atuais para 22%.

 

– Nesse ponto o Brasil se tornou prisioneiro daquilo que o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso denominou “herança pesada”: a falta de ações de modernização do Estado no governo Lula é a principal responsável pelos problemas de Dilma Rousseff.

 

– E entre essa “falta de ações” pode se incluir a inexistência de reformas estruturais, o aumento dos gastos do Estado e o descaso com a infraestrutura, apesar de programas marketeiros como o PAC.

 

– Para um governo que costuma pensar apenas no curto prazo, o crescimento das taxas de consumo costuma bastar, pois garante altos índices de popularidade.

 

– O problema é que uma economia com baixo crescimento não consegue conviver com tantas pessoas indo às compras por muito tempo.

 

– Mas a impressão que a equipe econômica passa é de não saber desarmar essa bomba-relógio antes de as pessoas pararem de comprar.

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