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03 de setembro,2012O pior crescimento desde o Plano Real

– Na última sexta-feira, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgou mais uma rodada de números medíocres de nosso Produto Interno Bruto.

– O crescimento registrado no segundo trimestre (abril-junho) foi de 0,4%. Entre janeiro e março o resultado já tinha sido de 0,1%. Isso significa que o acumulado de doze meses é de 1,2%. Até a pouco, registre-se, a previsão oficial girava em torno de 4% para 2012.

– O PIB do segundo trimestre veio com resultados negativos no investimento (-0,7%), exportações (-3,9%) e Indústria (-2,5%). Os números positivos foram possibilitados pelos gastos públicos (1,1%), consumo das famílias (0,6%) e, mais uma vez, agropecuária (4,9%).

– A indústria de transformação recuou 5,3%, quarta queda seguida. Os destaques negativos da indústria, segundo o IBGE, foram material eletrônico, equipamentos de comunicações, veículos automotores, artigos de vestuário, calçados e produtos farmacêuticos. Alguns segmentos com bom desempenho foram bebidas, madeira e mobiliário, e artigos de perfumaria.

– O resultado mostra que o governo Dilma registra o mais baixo índice de crescimento do Brasil desde o Plano Real, de 1994.

– São oito trimestres consecutivos – dois anos inteiros – em que a expansão do Produto Interno Bruto não supera 1%.

– Os resultados desapontadores da indústria, em especial, mostram que todos os pacotes do governo lançados nos últimos meses fracassaram, inclusive medidas positivas como a queda dos juros e a desoneração dos tributos federais.

– Pródigo em inflar os números do nosso crescimento, pela primeira vez o ministro Guido Mantega se recusou a fazer mais um de seus prognósticos equivocados. Apenas afirmou que a economia deve se acelerar até o final do ano. Mas o resultado do segundo trimestre aponta mesmo para a taxa de 1,5% em 2012, índice considerado “piada” por Mantega há apenas dois meses.

– Fora os países da Europa no epicentro da crise, o Brasil deve registrar um dos piores avanços do mundo. Estados Unidos (um dos focos das turbulências) e países que também sofrem com a depressão como Canadá, Rússia, Índia, Chile, México, Colômbia e África do Sul crescerão em 2012 bem mais do que o Brasil.

– Afinal das contas, tudo indica que o esforço do governo em combater a crise principalmente pelo estímulo ao consumo chegou ao limite. A indústria brasileira não conseguiu atender o aumento da demanda.

– Mas as dificuldades por que passam os países da Europa não são nem de longe o principal motivo para um PIB que mal sai do lugar. “Não dá para aceitar os diagnósticos do governo de que esse fiasco se deveu, sobretudo, à prostração da economia internacional. Toda a estratégia de política econômica foi feita levando-se em conta a paradeira externa”, afirmou o colunista do Estadão, Celso Ming.

Aqui: http://migre.me/axPNa

– As causas da quase paralisia podem ser encontradas por aqui mesmo, em decisões populistas e equivocadas do governo anterior, de Luiz Inácio Lula da Silva.

– Em artigo publicado esse domingo, o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso lista uma série de medidas que deixaram de ser tomadas pelo governo Lula, todas fundamentais para a manutenção dos altos índices de crescimento.

– Além de toda crise moral passada a limpo atualmente pelo STF, o governo Lula deixou péssimas heranças econômicas para a sucessora. Por exemplo, não aproveitou as altas taxas de crescimento para aumentar a poupança pública e fazer investimentos.

– Sempre de olho nos índices de popularidade, Lula preferiu aumentar salários e expandir o crédito, porém sem enfrentar questões “obrigatórias” como acelerar parcerias público-privadas e retomar as concessões de certos serviços públicos.

– Ao invés de aproveitar o momento de alta arrecadação de impostos, Lula também evitou enfrentar qualquer desgaste para fazer uma reforma tributária. Nada foi concluído na reforma da previdência, não houve flexibilização das leis trabalhistas, a propalada autosuficiência energética foi um engodo e por aí vai…

Não deixe de ler o artigo de FHC: http://migre.me/axOno

– Dilma agora parece tentar fazer consertar os estragos. Mas, frente a tudo isso e as primeiras condenações no mensalão, talvez seja preciso reconsiderar quem afinal recebeu a verdadeira herança maldita.

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