Um abismo aos nossos pés

O governo parece só pensar em popularidade e eleições. Devia olhar com mais atenção no rombo das contas públicas, cada vez maior.

– A promessa do marqueteiro do PT João Santana era de que a presidente Dilma Rousseff iria se recuperar até este mês da queda de popularidade ocorrida durante as manifestações de junho.

– Espécie de ministro informal da presidente, João Santana previa um novembro tranquilo para o governo empurrar as ações administrativas com a barriga até as eleições do ano que vem.

– A previsão do marqueteiro ainda não se confirmou. De uma popularidade de 55% antes das ações de rua, o governo Dilma passou a ser bem avaliado por apenas 38% em julho de acordo com o Ibope. O índice de 38% se manteve no final de outubro, segundo a última pesquisa divulgada pelo instituto este mês.

– Apesar de, aparentemente, só pensarem nisso, a principal preocupação do governo não deveria ser a estagnação da popularidade. O risco, na verdade, está nas contas públicas, que se aproximam rapidamente do abismo.

– O setor público brasileiro encerrou setembro com um saldo negativo de R$ 9,04 bilhões em suas contas, o pior resultado já registrado para esse mês e o maior déficit mensal desde dezembro de 2008.

– Desse valor, o desempenho negativo do governo federal foi de R$ 10,8 bilhões.

– Nem mesmo os R$ 15 bilhões do bônus do leilão do campo de Libra do pré-sal garantirão uma reversão do quadro. O governo já pode dar adeus à meta de superávit primário (arrecadação para resgate da dívida) de 2,3% do PIB ou algo em torno de R$ 110 bilhões. A previsão do ministro Guido Mantega foi de um superávit de 3,1% do PIB.

– Enquanto isso, em 12 meses, a receita do governo cresceu 8%. Bom resultado? Não se pensarmos que a despesa subiu 13,5%.

– Nos cálculos do economista Mansueto Almeida, do Ipea o crescimento da despesa não financeira do Governo Central nos nove primeiros meses de 2013 foi de R$ 79,2 bilhões (13,5%) para uma elevação do investimento de apenas R$ 1,3 bilhão (2,9%).

– Também pesaram nas contas negativas do governo um prejuízo de R$ 10,2 bilhões devido à política energética de cunho populista e outro buraco de R$ 6,2 bilhões ocasionado pela Previdência Social.  

–  Essa quantidade notável de rombos é o terreno que o governo tem a seus pés. Mas consertá-los significa tomar medidas impopulares, algo que o PT parece ter ojeriza atávica.

– Um exemplo: o governo já tirou de seu radar qualquer reforma da Previdência. Nas palavras do titular da pasta, Garibaldi Alves, a necessidade de correções na área é “imediata”. Mas o risco eleitoral é grande.  

– Resta ao governo rezar para ganhar as eleições e tentar tapar os buracos somente em 2015, com enorme sacrifício para a sociedade, vítima de uma condução irresponsável da economia.

Fonte: Assessoria DEM